terça-feira, janeiro 27, 2009

A Dicotomia Capixaba

Uma das definições da palavra “dicotomia”:

4. Lóg. Divisão lógica de um conceito em dois outros conceitos, em geral contrários, que lhe esgotam a extensão. Ex.: animal = vertebrado e invertebrado.


Esta foto que fiz, em preto e branco, para mim demonstra bem as dicotomias capixabas descritas a seguir

Escolhi esta definição para ilustrar a condição do capixaba diante do que ele próprio se abastece, consome, regurgita e volta para si mesmo num processo contínuo e, aparentemente (até quando?), interminável e do qual parece que nunca se livrará disso. Algo como um cachorro correndo atrás do próprio rabo, mordendo-o, se machucando, mas ainda assim continuando a fazer a mesma coisa, sempre. Eis aqui alguns aspectos que qualquer ser minimamente pensante nesta terra um dia já parou para avaliar na hora de pagar a conta por algum serviço prestado.

O Turismo

Em 2006, trabalhei como assessor de imprensa de um evento de turismo de nível nacional realizado no SESC de Guarapari. Além do triste fato de que os universitários capixabas eram os que mais queimavam o filme no congresso (chegavam bêbados nas palestras, eram os menos interessados em aprender alguma coisa, arrumavam brigas dentro do hotel, depredação de banheiros e quartos, etc.), travei contato com algumas autoridades nacionais do setor que tiveram o desprazer de perder seus fracionados minutos de sobra prestigiando o evento. Um dos diretores de uma das maiores redes hoteleiras do Brasil me confidenciou em off que o ES continha, até então, a maior taxa de ocupação de seus hotéis no País, só que durante os dias úteis. Ele também me disse que a média de consumo do “turista de negócios” por aqui era de R$ 360 por dia, dez vezes mais que o “turista comum”, de fim de semana e em alta temporada, que consumia R$ 35 diariamente, em média. O mesmo diretor da rede justificou o fato de não divulgar publicamente estes dados para não “desvalorizar o evento” (haviam outros motivos mais sérios dos quais não consegui arrancar do cara), ao mesmo tempo em que afirmava, também em off, que o “turista de negócios no ES não tem o que fazer fora do hotel onde se hospeda”. Em suma: ele quis poupar o capixaba de sua mediocridade diante de universitários e coordenadores de faculdades de turismo Brasil afora e também da mídia que cobria o congresso.

Ao ir embora do evento, de carona numa van fretada pela organização, fui conversando com um dos palestrantes mais qualificados do congresso (paulista, 12 livros lançados, fala cinco idiomas, etc.), que descreveu polidamente o capixaba como ligeiramente selvagem (ele chegou a interromper uma de suas palestras para reclamar do som alto que vinha de um carro com capixabas entornando vodka às 3h da tarde). Já a coordenadora de uma faculdade de turismo de Itabuna (BA, mas com o grosso do trabalho desenvolvido em Porto Seguro e vizinhança), que também estava na mesma van a caminho do aeroporto (nosso terminal aeroviário mereceria um post à parte) não se conteve e abriu o verbo: “eu nunca imaginaria o quanto o capixaba era sem educação, amador e indisciplinado! Vocês estão ferrados nas mãos dessa geração aí que participou do congresso!” – ela falava dos mesmos estudantes do carro com som alto e vodka à luz da tarde. A propósito, o mesmo congresso teve apenas esta edição realizada...

A Solução:

Não basta apenas reclamar, tem que participar!. Esta bravata surte pouquíssimos efeitos após algumas tentativas frustradas de mudar alguma coisa, mas vá lá: O ES precisa se profissionalizar em todos os setores de serviços, do ajudante de cozinha ao proprietário de uma rede de restaurantes. Porém, o turista que realmente gasta dinheiro por aqui raramente é percebido por nossa população, fazendo com que surjam pouquíssimas iniciativas de melhorar nossos serviços. Afinal de contas, este mesmo turista chega na segunda-feira e vai embora na sexta, ficando boa parte do tempo sob os serviços do próprio hotel, pois nem os taxistas sabem orientá-los sobre onde eles podem comer e beber bem, serem bem atendidos ou curtirem uma boa balada noturna. Enquanto isso, nós, capixabas, continuamos a pagar caro por um serviço de merda.

*PS: Ainda me surpreendo com gente daqui falando que o turismo do ES é “nota 10” e caindo na ilusão de pegar como referência a Praia da Bacutia, em Guarapari, como “turismo que dá certo”. Estar na Praia do Canto (Vitória) ou na Praia da Costa (Vila Velha) é basicamente o mesmo de estar na Bacutia no verão - entenda isso como quiser. O “turista de alto nível” de outros Estados passa longe daqui, vide o que já ouvi da boca de cariocas, belorizontinos e paulistanos sobre a nossa terra. Isso sem falar que para a maioria brasileira o ES é um traço nulo no mapa do Brasil (nem na previsão do tempo dos telejornais somos citados), e comprovei isso nas diversas vezes que tive de explicar aos paulistanos quando morei lá em 2004 que eu era capixaba (“o que é isso?, Índio?”), que era natural de Vitória (“Vitória da Conquista?”) e que o meu Estado também ficava na Região Sudeste (“tem certeza que não é no Nordeste? Não é do lado da Bahia? Então!”) Uma prova desta insignificância nacional pôde ser vista recentemente na “reportagem” da Revista da TAM sobre nossa querida capital e veiculada para todo o território brasileiro.

***

O Custo de Vida

Já deu no noticiário: “O ES é o Estado com a maior taxa de crescimento do país atualmente”; “O custo de vida da capital do ES só perde, proporcionalmente ao poder de compra de sua população, à capital do Distrito Federal, Brasília”. Do progresso anunciado, a conta vem logo a seguir... Pois bem: o capixaba está pagando MUITO caro por uma prestação de serviços de merda. Não há como ser menos pragmático nesta afirmação. Nos últimos dois ou três anos, nosso Estado tem vivenciado um boom imobiliário em proporções talvez nunca antes vistas. Por exemplo, o preço do imóvel nos restritos metros quadrados que nossa Ilha-Capital tem disponíveis atingiu picos de valorização inéditos por aqui, fazendo com que grandes redes de imobiliárias de outros Estados como RJ e SP abrissem o olho grande para nossa terra. Isto gerou um efeito cascata, encarecendo o preço de praticamente tudo por aqui. Porém, muitos prédios novos que surgiram por aí contam com menos de 50% de taxa de ocupação por moradores, ficando a maior parte nas mãos de investidores que, de uns tempos pra cá, contam com apartamentos vazios à espera de quem os alugue ou compre por um preço abusivo. Seria o primeiro sintoma visível no setor em relação à tão falada crise econômica mundial?

Com os preços de imóveis e aluguéis em alta, o comércio supõe que há muita gente disposta a pagar caro por seus serviços. Portanto, também nos últimos dois ou três anos, Vitória (em particular) tem experimentado uma explosão de novos bares e restaurantes, todos se sentindo no direito de cobrarem preços abusivos em seus pratos e oferecendo um serviço de merda. O resultado pode ser visto por aí: estabelecimentos que fecham suas portas com nem um ano de vida. Devem existir uns dois ou três locais por aqui onde existe público de fato que se dispõe a pagar muito caro por seus serviços. Nos demais, criou-se a ilusão de que todo morador de Vitória vai querer pagar R$ 45 num prato a la carte (só o prato, sem incluir entrada, bebida, sobremesa e os 10%) ou R$ 40 pelo kg de um self service. O capixaba atualmente está numa moda de adorar se sentir VIP, tirar onda de ver e ser visto em locais caros. Se tivesse tanta gente com grana assim por aqui, os mesmos bares, restaurantes e casas noturnas não amargariam mesas vazias a partir da segunda quinzena do mês, quando o salário de todo mundo começa a rarear – ué, quem tem grana mesmo não vai ficar contando salário no final do mês, certo?

A Solução:

Que a crise econômica mundial bata com força no ES, diminua o poder de compra dos investidores e, finalmente, que faça baixar os preços de produtos e serviços de merda capixabas, deixando aqueles poucos de sempre cobrarem os olhos da cara para quem realmente tem bala na agulha para gastar. Só que com os preços caindo novamente, a prestação dos serviços de merda tende a piorar o que já é péssimo...

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Os Serviços de Merda

Capixaba paga caro para comer mal e beber mal, além de ser pessimamente atendido. Ponto. Aqui é terra de bar (pseudo) chique concorrer – e ganhar! – concurso de “melhor boteco”. Aqui é terra de beber cerveja quente (só os botecões de verdade - e que não concorrem a premiação alguma - é que servem cerveja no ponto). Aqui é terra de garçons fingirem que não o viram. Aqui é terra de donos de bares/restaurantes desqualificarem a reclamação justa de um consumidor feita num jornal de grande circulação ao invés de seguirem regras básicas de mercado (admitir o erro, convidar o reclamante a voltar ao estabelecimento para desfazer a má impressão, treinar melhor seus funcionários, etc.), pois sabem que o mesmo cidadão voltará ao local “por falta de opção”. Aqui é terra de chegar na melhor parte de uma saída à noite, quando a cerveja começa a bater e a conversa fica animada, e o garçon chegar a você com aquela infame e onipresente pergunta: “Vocês vão querer algo da cozinha? É porque em 10 minutos nós fecharemos a cozinha” - eles perguntam isso faltando 10 minutos sabendo que ninguém vai pedir algo que fique pronto em tão pouco tempo. Isso por volta de meia-noite, 1h da manhã, no máximo. Aqui todos os bares procuram se concentrar num só trecho de uma só rua de um só bairro de uma só cidade – atrever-se a sair do miolo de sempre é fracasso na certa, mesmo sendo na esquina ao lado. Aqui os bares ficam às moscas a partir de 1h30, sendo que depois desse horário é difícil até de pegar táxi pra voltar pra casa. Aqui a conta é cara, mas o serviço é de merda. Ponto novamente.

A Solução:

Eliminar toda a população capixaba atual e fazer renascer uma nova geração livre de vícios provincianos e dotada de um senso crítico minimamente exigente.

PS: Todos nós somos culpados, pois continuamos a pagar pelo serviço de merda, dando sustento a isso. Eu sou culpado, você é culpado. “Não há opção e temos que nos contentar com o que temos em mãos ou vazemos daqui!” – este é um bom argumento. Eu já vazei e já voltei. Sobre o atendimento, minha casa e as dos meus amigos possuem o melhor acolhimento para uma boa conversa regada a boa bebida e boa comida. Se optar por sair de casa, tenho de me preparar psicologicamente para engolir o serviço de merda. É triste. É real.

***

A Cultura Capixaba

Não discutirei mais sobre isso enquanto tudo o que for produzido aqui levar a pecha provinciana de “capixaba” a tiracolo (“música capixaba”, “bodyboarder capixaba”, “atleta capixaba”, “economista capixaba”, “ator capixaba”, "assassino capixaba" – a lista é infinita). Alguém aí já ouviu um paulista se auto denominar “músico paulista”? O que seria um "ator carioca"??? Quando você lê sobre "música mineira", fala-se sobre algo bem regional e restrito às tradições de um lugar, certo? Aqui é "música capixaba" para banda de reggae, forró, rock, metal, jazz, idem para a cultura, os atletas, os profissionais, as tragédias, os assassinos... Como se fosse uma etiqueta para denominar algo que só é feito (desta forma) no ES. Ou seja: mal feito? Quem daqui que realmente faz algo que presta certamente não sai Brasil afora bradando a bandeira azul e rosa capixaba como se fosse a única muleta para se apoiar. Se um povo continua se inebriando com tal rótulo pra tudo e ainda tem a necessidade de se auto afirmar pra tudo é porque tudo está errado, penso eu.

A Solução:

Hein?!?

***

O mesmo momento registrado no início do texto, desta vez com a foto colorida. Pouca coisa muda...

Considerações finais:

Um desavisado que não me conheça pessoalmente pode ficar ofendido com o meu texto. Vai pensar: “se esse babaca reclama tanto, porque ele não vaza daqui ou faz algo para mudar?”. Já fiz as duas coisas. Cansei. Estou prestes a fazer 33 anos, estou bem comigo mesmo e não quero levantar bandeira contra o conformismo e a inércia capixabas e tentar mudar alguma coisa para, no final, acabar sendo crucificado tal qual (olha a idade que estou chegando!) um Jesus Cristo pregado na Cruz do Papa. Me tornei uma pessoa mais fechada e egoísta, admito. A propósito, alguém aí já viu um espaço tão grande quanto mal aproveitado como aquele onde a famigerada "cruz do Papa" está fincada?!? Aquela cruz está mais para caveira de burro!

*Extras: Como num DVD que você alugou e se arrependeu amargamente de ter perdido seu tempo assistindo-o e, mais masoquista impossível, foi conferir os extras assim mesmo, este texto ainda traz mais um bônus sobre mais um capítulo de nossa triste história de prestação de serviços vs. crescimento econômico. Por favor, acesse a página do OI Velox do Rio de Janeiro e compare os preços de conexão de internet banda larga com os cobrados para o capixaba. Eu pago R$ 69,90 por uma conexão de 300 kbps (minha promoção de R$ 39,90 acabou há meses). Na capital carioca, este mesmo valor cobre uma conexão de 1 mega - se eu quiser esta velocidade aqui no ES terei de desembolsar absurdos R$ 159,00 por mês! Quase três vezes mais. Para nos deixar ainda mais tristes, é bom lembrar que os serviços de conexão de 300, 600 e 800 kpbs inexistem para os cariocas, que contam apenas com velocidades de 1 mega pra cima. Tais discrepâncias dizem muito sobre a verdadeira evolução econômica de nosso Estado.

19 comentários:

Paul Ramone disse...

e depois de devidamente lido uma frase não sai da minha cabeça: SERVIÇO DE MERDA!!!!
e é a mais pura verdade!!!

Fabio Martins - Kalunga disse...

quem mora aqui sabe que não há redundância em falar tanto em serviços de merda...

Anônimo disse...

até o serviço do esgoto aqui é serviço de merda.!!!

Fabio Martins - Kalunga disse...

ué, mas esgoto é categorizado como um "serviço de merda" em qualquer lugar no mundo. afinal de contas, quem é responsávelo por isso?

hahahaha!

Anônimo disse...

poutz
fui eu que comentei.
esqueci de assinar
hahahaha

T

doggma disse...

Serviço de Merda S/A!

Vou imprimir esse texto e fazer um pôster!

doggma disse...

Off Topic: Kalunga, já achei uns sources "razoáveis" do KMFDM, mas valeu de qualquer forma!

Sobre o Hanzel Und Gretyl, toma aí de três:

Ausgeflippt (1995)
http://rapidshare.com/files/114855247/Hanzel_Und_Gretyl__1995__-_Ausgeflippt.rar
Über Alles (2003)
http://rapidshare.com/files/109565530/HUG_2003_UA_for_Capa.ru.rar
2012: Zwanzig Zwoelf (2008)
http://rapidshare.com/files/92596081/HUG_-_2012_.rar
Senha: FMB

A banda gravou outros álbuns entre cada um, facilmente acháveis após uma prece ao Deus Google. Ouvindo esses aí dá pra sacar legal a evolução. O primeiro é uma festa de DJs bêbados no estúdio e o último é metalzão from hell.

Anônimo disse...

"ligeiramente selvagem" a pessoa foi gentil Kalunga !!!

Fabio Martins - Kalunga disse...

mesmo presenciando cenas lamentáveis, o tal palestrante paulistano ainda soube adjetivar o capixaba da pior maneira possível sem perder a finesse. É capaz de ter gente aqui no ES achar este adjetivo elogioso...

Fabio Martins - Kalunga disse...

salve Doggma! estou ainda ouvindo o primeiro disco do Hanzel Und Gretyl! em breve teço comentários mais profundos! valeu pelos links!!!

abração!

Anônimo disse...

Kalunga, texto foda tocou na ferida. O comentario do Anônimo foi meu. Realmente e bem capaz de alguns capixabas acharem elogiosos este comentários do Palestrante, como você falou ele adjetivou o capixaba da pior maneira possível sem perder a finesse.

Abraços

D'Isep

Fabio Martins - Kalunga disse...

Salve D' Isep! acho que o tal palestrante cometeu mesmo foi um puta eufemismo, hehehehe...

abração!

Chantinon disse...

Seu estado não está sozinho.
O pior, é que sobre Velox, os valores cobrados em boa parte do país é muito injusto.
Quando vc conecta no ES, na verdade sua ligação cai em MG ou RJ onde estão as centrais da Telemar.
O detalhe é que todo o país já é ligado por fibra ótica, e a Telemar não tem que amortizar nada, já que tudo está pago (Muito bem pago por gordos descontos do governo).
Não existe justificativa para os preços serem diferentes entre os estados, ainda mais que esses valores não contam com os impostos estaduais.

O Brasil tem a internet e a gasolina mais caros do mundo.
E ainda li algo essa semana que foi difícil de engolir, mas não duvido... O Brasil investe mais em educação que os EUA. Hahahahaha!

País de merda!

Fabio Martins - Kalunga disse...

Só pode ser piada... de mal gosto, hahahaha!!!

É Chantinon, neste país onde o sol parece nascer na diagonal e até Deus se "permite" furar uma fila, ultrapassar pelo acostamento ou sonegar um imposto, tudo (de ruim) é possível.

Essa história do Velox particularmente tem me indiginado muito ultimamente, porque aqui em Vitória está rolando uma onda de pagar de "desenvolvimento econômico" que em nada contribuiu para melhorar a prestação de serviços, que é uma das mais caras do país (isso no geral) e oferece um dos piores resultados do país.

Tanto há "desenvolvimento econômico" aqui no ES que eu ao menos consigo comprar pilhas recarregáveis AA da Sony para minha câmera digital, que possuem qualidade muito superior às demais. Os vendedores das lojas, quando conseguem responder algo, dizem "que aqui não há público pra isso" (a pilha de fato é uns 40 ou 50% mais cara do que as outras), sendo que muita gente utiliza câmeras semi-profissionais para o trabalho assim como eu - que, aliás, todas tiveram de ser compradas fora daqui, apesar de haver demanda.

Exemplifiquei algo bem banal do que rola aqui, mas posso lhe afirmar enfático: Vitória deve ser a capital brasileira mais provinciana e sem cultura do Brasil! Se um dia você visitar minha terra, a gente marca de tomar umas nos raríssimos botecos que servem uma cerveja gelada (não vai ser Skol, pode deixar! rsrsrsrs) e você acabará ficando deprimido com o amadorismo no "turismo" local. Se há algo que preste nesta terra é o fato de ter muita, mas muita mesmo, mulher bonita...

Chantinon disse...

Cara,
Se formos começar a falar mal de nossas cidades, o assunto não tem fim. Porque Recife é um lixo.

Sobre isso das pilhas, eu luto todo santo dia contra isso. Essa moda de que tudo barato é o que é bom, é pra matar um do coração.

Cara, estou no Nordeste, onde algumas comidas simplesmente deixarem de existir. Na verdade existe só o nome.
É impossível comprar Queijo de Coalho, porque hoje se vende uma coisa feita de 5% de leite e 95% de produtos placebo misturados, e um produto que era barato, hoje é MUITO caro e não de longe lembra o que já foi um dia.

Essa filosofia do consumismo levou as pessoas a aceitarem ter coisas ruins, mas ter muito.
Oras, muito de ruim, é um amontoado de bosta.

Sei que muitos acham que é melhor ser pobre com uma TV e um dvd das casas Bahia, mas amigo, no passado ser pobre não era tão ruim. Hoje é ruim até sendo rico. Mas o rico pelo menos pode ir numa delicatessen é comprar um queijo de coalho legitimo... Pasmem, um artigo que já foi de pobre.

Eu queria ver um post seu... sobre isso de moda Freak!
Dias desses eu vi 3 senhoras que já podiam ir para fila de idosos, exibindo suas tatoos com cores vibrantes. E tem essa tonelada de jovens com tatoo, scarificações, piercings...
Eu adora isso a 20 anos atrás, não em mim, mas nos verdadeiros freaks. Agora, é coisa de gente "moderna".
O alternativo agora é ser bundão.

Essa porra desse mundo começou a girar ao contrário e ninguém me falou :D

Abraços

Fabio Martins - Kalunga disse...

hahahahaha!!!

Chantinon, vez ou outra eu dou umas alfinetada nuns vícios de "mudernismo" por aqui. Acho que pior do que essas senhoras tatuadas (se já velhas parecem ser noção, pelo menos não vão durar muito no mundo dos vivos) é uma garotada de 15, 16 anos que tá entupindo o corpo de tatuagens em locais visíveis onde uma camisa de manga curta não cubra. Olhando assim, parece que eu sou um daqueles velhacos parados no tempo detonando "as novas gerações" por puro recalque. Bom, pode até ser, mas tatuagem é uma coisa pra durar para sempre e quando esta garotada virar adulta e tiver de cair no mercado de trabalho eles vão sofrer as consequências disso. Eu mesmo fiz três tatuagens todas no mesmo ano quando tinha 19 anos. Todas podiam ser cobertas por uma camisa... não me arrependo deles, muito pelo contrário, significam muito pra mim até hoje. Mas só fui fazer outra mais de 10 anos depois. E ela pode ser coberta por uma camisa comum.

Sobre o consumo de coisas baratas e ruins, isto realmente é lamentável. A quantidade de produtos genéricos de péssima qualidade que se vende por aí (de eletrônicos a alimentícios) não encontra paralelo em nenhuma época de nossa curta história como "civilização". Numa cidade provinciana como a minha, eu não consigo comprar pilhas AA de qualidade porque até loja de fotografia profissional me argumenta que "elas vendem pouco, até os profissionais preferem as mais baratas". Porra, fotógrafo profssional??? Eu tenho 4 pilhas dessas da Sony e 4 da Multilaser, ambas com a mesma carga no rótulo (2500mah), mas a da Sony dura três vezes mais!!! Os "profissionais" preferem economizar 20 reais (uma custa R$ 29 e a Sony R$ 49) só pra ter uma porcaria pra trabalhar???

Aqui na minha cidade, gente rica prefere pagar flanelinha ao ir em restaurante chique do que pagar R$ 1,50 no estacionamento do mesmo local (economia de R$ 0,50). Chega a ser bizarro: carrões tipo Audi, Mercedes Benz e tal congestionando as poucas vagas das redondezas e o estacionamento do restaurante praticamente vazio, tudo isso para economizar R$ 0,50, pq é de praxe dar 1 real aos flanelinhas.

Olha, não falta coisa pra criticar, rsrsrsrsrs...

Sobre o queijo coalho, realmente uma discrepância isso que você descreveu. Aqui tem fartura de queijos, até porque estamos colados em MG. Mas falta MUITA coisa no meu pobre comércio local. De eletrônicos e informática então, é uma lástima. Sobre a prestação de serviços, bom, meu post é enfático: serviços de merda. Digo isso c/ autoridade, pois trabalho numa empresa de tecnologia e atualmente temos uma demanda de 1.500 modens 3G da Claro para um projeto específico e eles não conseguem fazer funcionar direito o único modem que estamos usando como teste...

abração!!!

Mentor disse...

O Espírito Santo - e sua fauna, flora e falácias - é lindo. O imperador Hartung é lindo e a unanimidade gengis-khaniana que o acompanha é linda. Essa não cultura desleixada, meio desapropriada, tipo: terra de ninguém, é linda. O capixabismo táticamente inocente é lindo. Kalunga é lindo. E... O calor?... O calor é lindo!

Anônimo disse...

Sou capixaba do interior, e moro há um ano em Vitória.. Tudo o q vc falou dos capixabas tem 100% de veracidade.

Eu tenho como sugestao de se fazer uma ONG, com o objetivo de melhorar o atendimento de Vitória. Como? Uma das formas é ficando na porta dos estabelecimentos, e recolhendo feedbacks dos clientes sobre o atendimento.. dessa forma poderia se fazer um ranking dos "menos piores" no quesito atendimento, e publicar em jornais/revistas como sugestão..

Dessa forma os gerentes de comércio poderiam saber que um bom serviço, não é só vantagem competitiva mas um requisito..

Se alguém tiver mais idéias meu email: david_ragazzi@hotmail.com

Anônimo disse...

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